segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Eleições de 2010 já influenciam as alianças regionais

Em Salvador, o PMDB local, comandado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, articulou-se novamente com o DEM do deputado ACM Neto e derrotou o PT do governador Jaques Wagner na briga pela presidência da Câmara. Geddel diz que tentou formar uma chapa conjunta com o PT, mas que a proposta foi recusada pelos mesmos petistas que haviam abandonado seus postos na prefeitura para lançar candidato contra o prefeito reeleito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB). O PT optou por concorrer com chapa própria e o resultado é que acabou derrotado mais uma vez, com um agravante: apresentou oito candidatos à Mesa Diretora da Câmara Municipal e, ao final, obteve apenas seis votos.
Há dez dias, todos foram surpreendidos com a renúncia do recém eleito comandante da Câmara, vereador Alfredo Mangueira, depois de assumir publicamente suas ligações com o jogo do bicho. O vice Paulo Magalhães Júnior (DEM) assumiu a presidência e, agora, ACM Neto e Geddel aguardam parecer da consultoria jurídica para definir se haverá nova eleição em que o PMDB possa recuperar o posto. Mas a disputa não vai abalar a parceria. "Defendo e vou trabalhar por uma aliança entre o DEM e o PMDB da Bahia em 2010", diz Neto, confiante de que "o PSDB terá de vir conosco, naturalmente, porque não pode continuar linha acessória do PT baiano."
"É natural que se especule, mas não temos compromisso futuro algum. Meu caminho preferencial na Bahia é a aliança com o PT, mas o que vai acontecer em 2010, eu não sei", afirma Geddel. De qualquer forma, sua parceria local com o DEM é vista como mais um movimento que sinaliza o desembarque peemedebista do governo do PT, já enxergando um potencial maior na candidatura presidencial de oposição. Afinal, a tentativa de composição com o PT baiano para definir o comando da Assembleia Legislativa também fracassou, embora Geddel tenha se oferecido para apoiar um petista.
Em se tratando de Bahia, o parceiro tradicional do PT é o PSDB do deputado Jutahy Júnior. Exatamente por isto, o deputado estadual tucano Marcelo Nilo presidiu a Assembleia na primeira metade do mandato de Jaques Wagner. "O inusitado é que Marcelo Nilo assumiu por escrito o compromisso de não disputar a reeleição e, ainda assim, o PT opta por ele", lamenta Geddel, lamentando ter de "administrar as desconfianças e as inseguranças" do PT local, temeroso de que o PMDB rompa a aliança em 2010 e lance o ministro contra Wagner na briga pelo Palácio de Ondina.

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