Representante do segmento policial na Assembleia Legislativa, o deputado Capitão Tadeu (PSB) disse ontem em discurso na tribuna que "a segurança pública na Bahia acabou e os problemas estão apenas começando", atribuindo ao governador Jaques Wagner "a desintegração entre as duas polícias" ao dar, na legislação, "tratamento diferenciado" para militares e civis. Tadeu não quis dar detalhes que justificassem a afirmação alegando que não quer "entrar em brigas paroquiais", preferindo falar "na condição de parlamentar especializado no assunto".
Para ele, "o governador perdeu as rédeas da segurança pública" e propiciou entre a Polícia Militar e a Polícia Civil "uma rivalidade inócua para a sociedade". Lembrou que, mesmo sendo da base governista, denuncia a crise da segurança desde o início, e que no terceiro ano de governo só vê a situação "piorar". Revelou que "oficiais da PM se reuniram e queriam dar uma solução rápida" para a briga ocorrida no Carnaval entre um major e um delegado, exemplo do "quadro de acirramento" entre as duas corporações. "Os oficiais queriam tomar uma satisfação, o que não ocorreu devido à minha interferência", afirmou.
O deputado criticou "o sorriso" do secretário da Segurança Pública, César Nunes, ao anunciar o resultado da Operação Nêmesis, que levou à prisão sob acusação de corrupção três coronéis da Polícia Militar, entre eles o ex-comandante da corporação, Antonio Jorge Santana. "O secretário demonstrou satisfação pelo fato, quando era para estar constrangido. É esse o entendimento nos quartéis, foi isso que passaram para mim", disse Tadeu, ressalvando que parabenizava o governador e o próprio secretário pelo êxito da operação, "pois os atos de corrupção devem mesmo ser punidos com cadeia".
Depois de afirmar que "o que vem agora é um enigma", o deputado foi indagado sobre que tipo de reação poderia partir de uma instituição como a PM em decorrência de uma atitude afinal de contas pessoal do secretário Nunes, já que a população é a única beneficiária da ação policial correta. "Tem policial", respondeu Tadeu, "que trabalha 96 horas a mais por mês sem receber nada por isso, muitas vezes sem usar colete à prova de bala. Como é que esse pessoal vai trabalhar agora, sabendo que na cúpula está ocorrendo desvio de dinheiro?"
O parlamentar reiterou que estava "profundamente decepcionado e triste" com o episódio envolvendo os coronéis, mas disse que a postura do secretário vai gerar "um boicote" da PM. Ele chamou a atenção para o fato de que a figura mitológica que deu nome à operação – Nêmesis – é, na verdade, a deusa da vingança, não da ética, como chegou a ser divulgado. "Quem se vingou de quem e por quê?", perguntou.
O Diário Oficial que circula hoje deverá, enfim, publicar a relação dos deputados indicados pela maioria e pela minoria para comporem as comissões técnicas da Assembleia, o que permitirá a retomada do processo legislativo. Entretanto, a decisão do governo de tirar da oposição a presidência da Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos gerou nova crise entre as bancadas.
As três comissões reservadas ao controle da oposição são as de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Infraestrutura. Nos bastidores da Casa, atribui-se a decisão do líder do governo, Waldenor Pereira (PT), de recuar do compromisso à nova situação criada com a prisão dos coronéis, pois os oposicionistas iriam "fazer palanque" e até mesmo convocar o secretário César Nunes para prestar depoimento.
A argumentação de que o governo ganhou pontos ao desmascarar o esquema de propinas na aquisição de material para a PM não teria sentido, prevalecendo o fato de que, afinal, é o primeiro caso de corrupção na administração de Wagner. Lembrado de que o coronel Santana vem do governo Paulo Souto, o deputado Rogério Andrade (DEM) assegurou que na gestão anterior "ele não praticou nenhum ato dessa natureza".
quinta-feira, 12 de março de 2009
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