segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
WAGNER DIZ QUE QUER SE REELEGER
No camarote oficial neste domingo, em entrevista coletiva, o governador Jaques Wagner (PT) afirmou que a tão falada vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff para a presidência em 2010 não lhe interessa e que seu principal objetivo é a reeleição ao governo da Bahia. “Não tem sentido o PT lançar uma chapa puro sangue, porque deve se abrir para alianças. E nem eu vou deixar de disputar a reeleição para ir tentar ser vice de Dilma”, decretou, aparentemente enterrando os rumores. Wagner aproveitou para escapar da polêmica envolvendo as declarações do prefeito João Henrique antes da festa e negou-se a comentá-las, dizendo preferir “sorrir e brincar”. As informações são do A Tarde.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Governo e oposição antecipam 2010
Ação na Justiça, encontro com prefeitos e discurso em reunião com políticos deram tom do dia em que os partidos perderam o pudor e entraram de vez na campanha eleitoral para a sucessão presidencial de 2010
As principais forças políticas do País já nem procuram disfarçar: a sucessão presidencial de 2010 tomou conta da agenda política brasileira. Ontem, a oposição ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por propaganda eleitoral antecipada. A ação afirma que os dois usaram o encontro nacional de prefeitos, realizado em Brasília, na semana passada, para divulgar a pré-candidatura da ministra à Presidência.
Porém, no mesmo dia, o pré-candidato do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo José Serra, também fez sua reunião com prefeitos e secretários de Saúde dos municípios paulistas. Durante o encontro, criticou o Governo Federal e o PT.
Ao anunciar repasses de recursos estaduais para municípios, Serra criticou a propaganda do Governo Federal que, segundo ele, deixa a impressão de que investe mais que estados e municípios. “70% dos investimentos não são feitos pelo Governo Federal. São feitos pelos estados e municípios. As vezes não é o que parece, por causa de toda a propaganda’’, afirmou.
Segundo Serra, há casos de prefeituras do PT que “pirateiam’’ obras do Estado, escondendo sua autoria. “Aqui em São Paulo, tem governo do PT que pega a obra e não põe que é do Governo do Estado. Esconde’’, disse o governador, citando o caso do município de Hortolândia como exemplo.
Apesar de promover encontro com prefeitos no mesmo dia em que seu partido, ao lado do DEM, foi à Justiça questionar ação semelhante do Palácio do Planalto, Serra negou conotação eleitoreira. “Nada do que estou dizendo é coisa para mídia. Esta é uma reunião de trabalho’’.
Durante seu discurso aos prefeitos e secretários, Serra enumerou suas ações na época em que foi ministro da Saúde, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ao final, participou de sessão de fotos com prefeitos.
Resposta
Ainda ontem, Lula, em reunião do seu Conselho Político, defendeu as viagens que tem feito ao lado de Dilma. O presidente destacou que é legítima a participação da ministra em inauguração e visitas a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que é coordenado por ela.
O presidente ainda teria criticado Serra, em função da viagem do governador paulista à cidade de Cascal, no Estado do Paraná. Segundo informações do portal O Globo Online, Lula teria dito que, ao contrário de Dilma, Serra não teria obra para ver no estado vizinho.
As principais forças políticas do País já nem procuram disfarçar: a sucessão presidencial de 2010 tomou conta da agenda política brasileira. Ontem, a oposição ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por propaganda eleitoral antecipada. A ação afirma que os dois usaram o encontro nacional de prefeitos, realizado em Brasília, na semana passada, para divulgar a pré-candidatura da ministra à Presidência.
Porém, no mesmo dia, o pré-candidato do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo José Serra, também fez sua reunião com prefeitos e secretários de Saúde dos municípios paulistas. Durante o encontro, criticou o Governo Federal e o PT.
Ao anunciar repasses de recursos estaduais para municípios, Serra criticou a propaganda do Governo Federal que, segundo ele, deixa a impressão de que investe mais que estados e municípios. “70% dos investimentos não são feitos pelo Governo Federal. São feitos pelos estados e municípios. As vezes não é o que parece, por causa de toda a propaganda’’, afirmou.
Segundo Serra, há casos de prefeituras do PT que “pirateiam’’ obras do Estado, escondendo sua autoria. “Aqui em São Paulo, tem governo do PT que pega a obra e não põe que é do Governo do Estado. Esconde’’, disse o governador, citando o caso do município de Hortolândia como exemplo.
Apesar de promover encontro com prefeitos no mesmo dia em que seu partido, ao lado do DEM, foi à Justiça questionar ação semelhante do Palácio do Planalto, Serra negou conotação eleitoreira. “Nada do que estou dizendo é coisa para mídia. Esta é uma reunião de trabalho’’.
Durante seu discurso aos prefeitos e secretários, Serra enumerou suas ações na época em que foi ministro da Saúde, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ao final, participou de sessão de fotos com prefeitos.
Resposta
Ainda ontem, Lula, em reunião do seu Conselho Político, defendeu as viagens que tem feito ao lado de Dilma. O presidente destacou que é legítima a participação da ministra em inauguração e visitas a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que é coordenado por ela.
O presidente ainda teria criticado Serra, em função da viagem do governador paulista à cidade de Cascal, no Estado do Paraná. Segundo informações do portal O Globo Online, Lula teria dito que, ao contrário de Dilma, Serra não teria obra para ver no estado vizinho.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Vergonha nacional no carnaval de Salvador!!!!
20/02/2009 – 08h17
Bloco em Salvador usa tatuagem para diferenciar as "lindas" das "feias"
Ao batizar em 2006 seu bloco carnavalesco de Harém, o empresário Alexandre Ktenas impôs ao projeto dois requisitos inegociáveis: "Temos que ter mais mulheres do que homens e só mulheres lindas". Para isso, distribuía de graça todos os abadás (camisetas-ingressos) femininos, "apenas para meninas bonitas". Logo veio à tona uma falha no sistema. "Elas vendiam ou davam a peça para as amigas feias. Então decidimos inovar."Acompanhe a cobertura completa do Carnaval 2009A inovação: neste ano, as beneficiadas pelo ingresso grátis --que são recrutadas por olheiros e promoters em festas de axé e cadastradas com a honraria de "princesinha do Harém"-- são tatuadas com tinta colorida temporária às vésperas da folia. Assim, podem provar na entrada do bloco -que desfila à beira-mar em Salvador, no circuito conhecido como Barra-Ondina- que são elas mesmas."Nós tentamos antes fazer o controle por pulseirinhas, mas mulher é esperta, cortava e dava de presente para a amiga feia", diz Ktenas.Para entrar (por uma única noite) no harém prometido, os homens pagam R$ 450 pelo abadá. "As outras mulheres ["feias'] também podem ir, mas têm que comprar abadá de homem. No final, tem muito mais mulher do que homem no bloco."O teste do controle de público por tatuagem foi feito em micaretas (festas carnavalescas temporãs) e ajudou a projetar o bloco no circuito. Hoje, o Harém tem três grandes patrocinadores (uma marca de refrigerante, uma de cerveja e uma revista masculina) e esgotou rapidamente os 2.000 abadás -ante 2.500 que distribui. A camiseta-ingresso masculina chega a sair por R$ 600 no "câmbio negro".VestibularA mistura de moças "lindas" e homens abonados desfila atrás do trio elétrico do cantor Alexandre Peixe, revelação da axé music. Como é tradição em blocos pagos, ao redor dos foliões, seguranças esticam cordas para que o grupo fique protegido dos sem-abadá.O bloco estava programado para desfilar na noite de ontem em Salvador, mas o camarote do Harém, com preços variáveis e o mesmo benefício prometido ("muitas e lindas"), fica instalado na avenida Oceânica até o fim do Carnaval. No restante do ano, o projeto viaja o país com micaretas.
20/02/2009 – 08h17
Bloco em Salvador usa tatuagem para diferenciar as "lindas" das "feias"
Ao batizar em 2006 seu bloco carnavalesco de Harém, o empresário Alexandre Ktenas impôs ao projeto dois requisitos inegociáveis: "Temos que ter mais mulheres do que homens e só mulheres lindas". Para isso, distribuía de graça todos os abadás (camisetas-ingressos) femininos, "apenas para meninas bonitas". Logo veio à tona uma falha no sistema. "Elas vendiam ou davam a peça para as amigas feias. Então decidimos inovar."Acompanhe a cobertura completa do Carnaval 2009A inovação: neste ano, as beneficiadas pelo ingresso grátis --que são recrutadas por olheiros e promoters em festas de axé e cadastradas com a honraria de "princesinha do Harém"-- são tatuadas com tinta colorida temporária às vésperas da folia. Assim, podem provar na entrada do bloco -que desfila à beira-mar em Salvador, no circuito conhecido como Barra-Ondina- que são elas mesmas."Nós tentamos antes fazer o controle por pulseirinhas, mas mulher é esperta, cortava e dava de presente para a amiga feia", diz Ktenas.Para entrar (por uma única noite) no harém prometido, os homens pagam R$ 450 pelo abadá. "As outras mulheres ["feias'] também podem ir, mas têm que comprar abadá de homem. No final, tem muito mais mulher do que homem no bloco."O teste do controle de público por tatuagem foi feito em micaretas (festas carnavalescas temporãs) e ajudou a projetar o bloco no circuito. Hoje, o Harém tem três grandes patrocinadores (uma marca de refrigerante, uma de cerveja e uma revista masculina) e esgotou rapidamente os 2.000 abadás -ante 2.500 que distribui. A camiseta-ingresso masculina chega a sair por R$ 600 no "câmbio negro".VestibularA mistura de moças "lindas" e homens abonados desfila atrás do trio elétrico do cantor Alexandre Peixe, revelação da axé music. Como é tradição em blocos pagos, ao redor dos foliões, seguranças esticam cordas para que o grupo fique protegido dos sem-abadá.O bloco estava programado para desfilar na noite de ontem em Salvador, mas o camarote do Harém, com preços variáveis e o mesmo benefício prometido ("muitas e lindas"), fica instalado na avenida Oceânica até o fim do Carnaval. No restante do ano, o projeto viaja o país com micaretas.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Campanha está nas ruas
Como estava previsto, o encontro do presidente Lula com os prefeitos eleitos e reeleitos em 2008 transformou-se mesmo numa grande festa política. E os restaurantes, shoppings e boates de Brasília também estão em festa, com a presença de mais de dez mil pessoas bancadas pelos cofres municipais e estaduais. Apesar da negativa presidencial, um Encontro Nacional dos Prefeitos tem mesmo caráter político e não pode ser desvinculado dos planos e projetos para 2010.
Ao discursar, em tom de campanha como tem feito cada vez mais nos últimos tempos, o presidente Lula criticou a imprensa e elogiou os prefeitos, o que também é natural uma vez que aqueles formam a base de sustentação de qualquer liderança política enquanto os veículos de comunicação são sempre apontados como culpados quando isto é interessante. Aproveitando a excelente ocasião, Lula assinou um pacote de medidas beneficiando os municípios, entre as quais está a possibilidade de parcelamento de débitos das prefeituras com o INSS por até 20 anos, inclusive para quem já fizera acordo em 2004 e não pagou as parcelas.
Lula garantiu que o evento não foi programado para projetar a candidatura da ministra Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, mas não dá para desvincular o fato de que em 2010 haverá eleições do fato de que a provável candidata é uma das estrelas do encontro. Montado na imensa popularidade que os programas sociais da sua administração e o controle da economia têm lhe proporcionado, o presidente está mesmo fazendo campanha e o encontro com os prefeitos faz parte desta estratégia, embora seja lógico que seria um gol contra admitir isto.
Não vejo nada de errado na postura do presidente, desde que os interesses do País não sejam deixados de lado pelas conveniências políticas de uma campanha. E Lula, até agora, não deu mostras de que está fazendo isto.
Ao discursar, em tom de campanha como tem feito cada vez mais nos últimos tempos, o presidente Lula criticou a imprensa e elogiou os prefeitos, o que também é natural uma vez que aqueles formam a base de sustentação de qualquer liderança política enquanto os veículos de comunicação são sempre apontados como culpados quando isto é interessante. Aproveitando a excelente ocasião, Lula assinou um pacote de medidas beneficiando os municípios, entre as quais está a possibilidade de parcelamento de débitos das prefeituras com o INSS por até 20 anos, inclusive para quem já fizera acordo em 2004 e não pagou as parcelas.
Lula garantiu que o evento não foi programado para projetar a candidatura da ministra Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, mas não dá para desvincular o fato de que em 2010 haverá eleições do fato de que a provável candidata é uma das estrelas do encontro. Montado na imensa popularidade que os programas sociais da sua administração e o controle da economia têm lhe proporcionado, o presidente está mesmo fazendo campanha e o encontro com os prefeitos faz parte desta estratégia, embora seja lógico que seria um gol contra admitir isto.
Não vejo nada de errado na postura do presidente, desde que os interesses do País não sejam deixados de lado pelas conveniências políticas de uma campanha. E Lula, até agora, não deu mostras de que está fazendo isto.
Dona Dilma faz sua parte
Candidata do peito do presidente Lula à sua sucessão e, cada vez mais, a única e melhor opção do PT, a ministra-chefe da casa Civil Dilma Rousseff incorporou mesmo o espírito e o jeitão de postulante ao Palácio do Planalto. Ela não confessa isto nem sob tortura, mas mostra-se cada vez atenta às preocupação em relação a 2010. Nesta terça-feira, dia 10, ela foi à festa de aniversário do PT, que completou 29 anos, mandou um recado direto favorável à manutenção da aliança entre petistas e peemedebistas e pediu que o PT trabalhe para construir alianças em torno de legendas que “estão no espectro progressista do país”. E concordou com a direção do seu partido para que ela viaje mais pelo país, aprofundando os contatos com os partidos e movimentos sociais.
Agora, me digam, isto é ou não é campanha eleitoral, por mais que Lula e Dilma neguem? E adianto que aposto no crescimento dos índices da ministra nas pesquisas de opinião nos próximos meses, justamente por conta desta sua movimentação e da força que Lula vem lhe dando.
Antes que alguém lembre disso, acredito que a repaginada que ela deu no visual, com uma cirurgia plástica básica, seja apenas um dado a mais, que mostra o quanto Dilma está fazendo a sua parte, mas não vai influenciar nas pesquisas. O restante sim.
Agora, me digam, isto é ou não é campanha eleitoral, por mais que Lula e Dilma neguem? E adianto que aposto no crescimento dos índices da ministra nas pesquisas de opinião nos próximos meses, justamente por conta desta sua movimentação e da força que Lula vem lhe dando.
Antes que alguém lembre disso, acredito que a repaginada que ela deu no visual, com uma cirurgia plástica básica, seja apenas um dado a mais, que mostra o quanto Dilma está fazendo a sua parte, mas não vai influenciar nas pesquisas. O restante sim.
FHC diz que Lula já faz campanha e ameaça ir ao TSE
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que o presidente Lula está em campanha e o PSDB estuda pedir uma autorização ao Tribunal Superior Eleitoral para o partido entrar na campanha pela presidência da República em 2010. "O presidente já está com a candidata andando pelo Brasil todo, mas a legislação não permite. Ele faz o que quer. Nós, se lançarmos candidato agora, vem processo em cima", declarou Fernando Henrique, na abertura da 3ª Reunião da Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia.Indagado se o PSDB estaria demorando a definir a candidatura, o ex-presidente disse que Lula "é que está se precipitando". "O presidente da República está em campanha, acho que não está na hora. Não quero entrar em campanha, quero respeitar a lei. Existe um calendário", disse. "Se o presidente Lula continuar forçando antecipar a eleição, vamos ter que pedir uma autorização ao Tribunal".
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Geddel: Aliança depende de Wagner e do PT
O tema aliança PT-PMDB na Bahia para 2010 não preocupa o ministro Geddel Vieira Lima, que atribui à imprensa a mania de estar “requentando” um assunto, apesar de os rounds entre os dois partidos virem se sucedendo desde a eleição municipal de Salvador e petistas de destaque pedirem publicamente o rompimento. Na contramão das aparências, o ministro se diz “confortável” na situação atual e atribui ao governador Jaques Wagner, “por ser governador”, e ao PT, “porque é o partido do governador”, a maior parte da responsabilidade de viabilização do entendimento. O ministro falou à Tribuna pouco antes de participar, ontem, do lançamento do jornal do PMDB, intitulado “É o 15”, num restaurante da capital. Indagado se houve algo irreversível nas relações com o governador e se seria possível restaurar o grau de confiança que os levou juntos ao pleito de 2006, Geddel afirmou: “Não sei o que é possível, mas política é vencer desafios e superar dificuldades. O futuro entre PT e PMDB depende mais das iniciativas do governador – ele é o governador – e de seu partido, que é o partido do governador”. Geddel disse que a essência do que teria a falar sobre o assunto está no artigo publicado há cerca de dois meses na imprensa, no qual, em última análise, colocou à disposição os cargos que filiados ao PMDB ocupam no governo. Hoje, declara-se “sempre aberto” ao entendimento, “sem partilhar das angústias de muita gente angustiada que existe”. O ministro não quis esclarecer se se referia à imprensa ou a petistas, explicando que tinha se expressado “lato sensu”, ou seja, no sentido amplo, sem particularizar. (por Luís Augusto Gomes)
Petistas confiam desconfiando
A aliança com o PMDB é vista como fundamental por setores do PT para garantir a governabilidade tanto no Estado quanto no País. No entanto, declarações recentes de ambas as partes têm funcionado como uma espécie de ducha fria capaz de desestabilizar a relação entre os dois partidos, sobretudo na Bahia, onde alas petistas vêem o PMDB com certa desconfiança. Acreditam, inclusive, que os peemedebistas estão preparando o bote para afastar-se do governo Wagner no momento certo e disputar a sucessão estadual com um nome próprio – Geddel Vieira Lima. O próprio governador vinha colocando panos quentes quando tratava do delicado tema rompimento com o PMDB. Mas,em pelo menos uma ocasião, Wagner chutou forte em direção à defesa do aliado. Ele mostrou-se irritado com o que chamou de traição a posição assumida pelo PMDB de votar contra a reeleição do deputado Marcelo Nilo (PSDB) à presidência da Assembleia Legislativa. Mesmo assim, voltou a admitir que o partido permanece fazendo parte de sua base,inclusive ocupando duas secretarias de peso: Infra-Estrutura e Indústria, Comércio e Mineração. O presidente estadual do PT, Jonas Paulo, também tem sido cauteloso nas suas colocações acerca do entendimento com a legenda do ministro Geddel Vieira Lima. Ele defende a aliança, mas sabe que há segmentos da sigla favoráveis ao rompimento já. Jonas parece enxergar mais adiante, já que contabiliza também o cenário nacional, onde o PMDB tem se saído fortalecido, principalmente agora que está à frente do comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o Michel Temer e José Sarney. Há porém quem defenda abertamente no PT o afastamento do PMDB. É o caso do deputado federal e ex-secretário da Agricultura, Geraldo Simões. Essa seria a mesma opinião de auxiliares próximos a Wagner. Apesar das desavenças, que deixaram de ser aparentes e se tornaram públicas, PMDB e PT vão se suportando na Bahia. Até quando, nem Geddel nem Wagner provavelmente saberão responder. O fato concreto é que por trás de toda a celeuma estão as eleições de 2010 e,consequentemente, as sucessões local e nacional.
Geddel nega pressão sobre PT para comandar Casa Civil
Três dias depois de dizer que gostaria de ser o "Dilmo da Dilma" - afirmação interpretada como pressão para assumir a Casa Civil em uma eventual vitória de Dilma Rousseff na disputa presidencial, em 2010 - o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, disse hoje, em Salvador, que a frase foi apenas uma brincadeira com a colega. "Nem o PMDB, nem nenhum outro partido tem legitimidade para reivindicar cargos como esse (ministro da Casa Civil), nos quais o presidente da República, seja quem for, tem de ter total autonomia para decidir quem colocar lá", afirmou. "Vou repetir: só discuto 2010 em 2010. Por enquanto, sigo aquela música do Zeca Pagodinho: Deixa a vida me levar."O ministro, junto com outros representantes do PMDB na Bahia, entre eles o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, participou hoje do lançamento do jornal da legenda no Estado, chamado "É o 15". A publicação, mensal, não esconde a intenção de promover as realizações de Geddel e de João Henrique em suas áreas. Segundo o presidente do partido no Estado, Lúcio Vieira Lima, a publicação será enviada aos leitores por mala direta. A perspectiva é que a tiragem alcance 50 mil exemplares.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
PMDB já coloca preço para indicar vice na eleição de 2010
Fortalecido pela eleição municipal e com a vitória dupla, na Câmara e no Senado, o PMDB já começa a definir sua tática política para 2010. Alvo preferencial do governo e da oposição para uma aliança nacional, o partido sonha alto para se alinhar com algum candidato. Deseja comandar a Casa Civil do futuro governo e tomar conta da gerência executiva. Foi isso que o ministro da Integração Nacional, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), quis dizer quando, em tom jocoso, afirmou que queria ser "o Dilmo da Dilma", ou seja, assumir a Casa Civil de seu eventual governo, não simplesmente ocupar a Vice-Presidência de uma chapa com o PT.Não é à toa que o PMDB se mostra interessado pela Casa Civil. O posto é o mais estratégico da máquina federal. Coordena todas as ações dos ministérios e toca o ritmo das ações do Executivo. No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seus dois ocupantes tiveram grande destaque. Primeiro foi José Dirceu, tratado como "superministro", tamanha a influência que exercia sobre todos os programas. Depois, veio Dilma Rousseff, que, por seu perfil técnico de "gerentona" e na falta de um sucessor natural no PT, viabilizou a pré-candidatura presidencial."O PMDB era coadjuvante do processo sucessório, mas, com o comando do Congresso nas mãos e a possibilidade de reeleger Temer e Sarney no início do próximo governo, pode querer o lugar de protagonista", avalia o vice-líder do Planalto no Congresso, deputado Walter Pinheiro (PT-BA). Ele traduz a preocupação do PT de que os peemedebistas queiram inverter o cabeça de chapa e indicar o candidato a presidente. O PMDB não tem um nome natural para lançar na corrida sucessória, mas, como Dilma não está consolidada, líderes petistas não escondem o receio de que o partido aliado invista na construção de uma candidatura.A cúpula peemedebista da Câmara, tendo à frente Geddel e o presidente da Casa, Michel Temer (SP), reúne-se nesta semana com a cúpula do Senado, comandada pelo presidente José Sarney (AP) e o líder da bancada, Renan Calheiros (AL). Depois de se confrontarem no processo sucessório, as duas alas do partido querem pôr um ponto final na disputa e se unir.Foi o que Sarney indicou semana passada a um dos principais estrategistas da vitória do PMDB da Câmara, antes de seu cumprimento formal a Temer. Procurado pelo presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha (RS), que fez o primeiro gesto de aproximação, Sarney saudou o correligionário com um apelo: "Agora, temos de conquistar a unidade." Nos bastidores, a avaliação é de que, se conseguir "uma unidade mínima", o PMDB "manda" em qualquer governo.Sonhar com a Casa Civil não significa que o PMDB a terá. Em uma aliança com Dilma, a composição parece ser mais fácil. Já com o PSDB, o cargo dificilmente será entregue a alguém que não seja próximo do presidente. Significaria a chegada da oposição ao poder e uma natural ocupação dos cargos de destaque por pessoas vinculadas ao grupo do novo presidente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Para refletir
Caríssimos amigos, graduados e demais praças que pensam em ser promovidos.... Um dia! Observe, agora está acontecendo... Comigo, também! A verdade não é UMA VERDADE absoluta, pois para todos existe uma verdade, mas a minha é que, sem UNIÃO, EM TODOS OS SENTIDOS, nada mudará até que uma revolução aconteça.
Esta matéria está no site da ASSOF/MTAcesse: http://www.assofmt.org.br/new/v2/noticias.php?id=152
24/01/09DESABAFO DE UM OFICIAL
Após tomar conhecimento do texto publicado abaixo, a Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar do Estado de Mato Grosso por identificar muitas semelhanças com situações vividas aqui em nosso Estado, decidiu publicá-lo em nosso site.
A realidade vivida pelo Oficial Sergipano, com exceção dos atores que protagonizam o fato, não difere muito da realidade que vivemos em nosso Estado, por isso, caso alguns dos senhores se vejam retratados em alguns instantes no texto, se acalmem, é mera coincidência..
OFICIAIS PM E BM DESMORALIZADOS
Primeiramente vamos às apresentações: sou policial militar a 12 anos, oficial de baixa patente e miliciano por vocação. Sempre admirei a estrutura militar, o orgulho que estes profissionais têm em envergar sua farda, a disciplina, as ordens prontamente executadas, a hierarquia respeitada...
Meus olhos brilhavam nos desfiles de 7 de setembro (os quais eu chegava uma hora antes do início, quando era criança, para não perder a passagem da PM, que para mim era a mais bonita). Sentava nas rodas de conversa da família somente quando meus dois tios que eram soldados contavam suas histórias de trabalho, dos partos que fizeram, dos assaltantes, estupradores e traficantes que prenderam, do orgulho e da satisfação do dever cumprido, e principalmente, da visualização na face das pessoas que estava ali um amigo pronto a lhes ajudar. Todo mundo no bairro onde estes tios meus moravam, enxergava neles os exemplos a serem seguidos por seus filhos. Foi com admiração a estes bravos homens que decidi ingressar na Polícia Militar.
Não foi uma decisão fácil. Minha mãe perguntou se eu estava louco: "Filho, a nota que você tirou na UFS te habilita a fazer qualquer curso lá. Vá ser médico, dentista, advogado...." Lembro-me da resposta que lhe dei: "Mãe, a vontade de ajudar as pessoas está falando mais alto em mim neste momento". Nesta época eu era funcionário concursado do Tribunal de Justiça do Estado, ou seja, ingressei na PM por opção e não por falta dela, como muitos policiais antigos que ingressaram na carreira, mas que aprenderam a amar a farda e defender a sociedade mesmo com o baixo reconhecimento.
Fiz o vestibular da UFS para o Curso de Formação de Oficais, a segunda turma que pode ter o orgulho de dizer que foi aprovada em um concurso limpo, honesto e transparente. A concorrência foi de 51 candidatos por vaga.
Após a aprovação, fui matriculado em uma Academia de Polícia Militar de outro estado e para lá fui, me afastando de meus familiares e amigos, começando praticamente uma nova vida: a do sacerdócio da Segurança Pública. Com um mês de curso, recebo o telefonema de minha irmã. Ela me informava que chegara um telegrama a nossa casa me convocando para ocupar uma vaga no Tribunal Regional Eleitoral do estado, pois antes do concurso da PM eu tinha, também, participado desta seleção.
Passei quatro anos dedicados integralmente à formação. Aulas pela manhã, à tarde, à noite. Aos sábados e, não invariavelmente, aos domingos. Nestes quatro anos, meu cabedal de disciplinas e carga horária cursadas deixa qualquer curso superior de cinco ou seis anos ruborizado de pequenez acadêmica (se é que assim posso dizê-lo).
Formei-me. Retornei a meu estado e não vou negar que o choque cultural foi grande. Sair de uma Academia de uma Polícia Militar de renome e aparecer por aqui, numa corporação em que a bagunça institucional está instalada é complicado.
Passei por três governos, vendo meus superiores hierárquicos enchendo os bolsos de dinheiro com a realização de policiamento de eventos e com a exploração da tropa em serviços particulares ou com empresas de segurança apoiada na logística da corporação e nada podia fazer, pois era um peixe pequeno perto desta conspiração. Achava que a culpa era única e exclusiva deles, destes oficiais, porém entendo que eles estavam fazendo o que eles achavam correto para resolver seus problemas salariais, uma vez que os ex-governadores abandonaram a segurança pública preventiva, sem a realização de qualquer investimento vultoso, principalmente no ser humano policial militar.
Chegou o ano de 2006. Finalmente víamos a possibilidade de um candidato advindo dos movimentos populares assumir a chefia do Poder Executivo estadual. Enxergava-se claramente na face de cada policial militar (o barnabé da segurança pública) a esperança de dias melhores com a eleição de Marcelo Déda. Seu nome despontava com ares messiânicos. Era o único engajado, dos candidatos à época, com propostas para a valorização do profissional de segurança pública.
Veio a eleição, a qual o resultado nós bem conhecemos. Tive a oportunidade de comandar o policiamento no CIC, local de apuração, e, após o anúncio do nome de Marcelo Déda como governador do Estado de Sergipe, dezenas de policiais militares quebraram o protocolo castrense e começaram a se abraçar e a chorar, ali mesmo, junto com os populares presentes ao evento. Não pude me conter, e fui aos prantos também. Vi, naquele dia, a possibilidade do policial militar viver única e exclusivamente de seus vencimentos, de possuir uma jornada semanal de trabalho fixada (não ficando ao arbítrio da vontade de seu comandante para trabalhar infindavelmente), de ser respeitado tal qual qualquer trabalhador comum.
Após dois anos de governo, a tropa perdeu a esperança. Assistimos a uma série de trapalhadas monumentais realizadas por aquele que tanto utilizou a ética como plataforma de campanha política. A Polícia Civil do Estado de Sergipe foi aquinhoada com uma conquista salarial histórica. Um agente de Polícia Civil vai perceber 45% dos vencimentos de um delegado de sua respectiva classe. Some-se a isso que eles ainda possuem adicional noturno e o direito à percepção de horas-extras, pelo fato de possuírem carga horária semanal de trabalho fixadas, além da gratificação de curso e do adicional de um terço ao vencimento-base ao completar vinte e cinco anos de serviço. E o que veio para a PM? O reajuste em cima de uma gratificação precária que o comandante geral pode tirar e pôr no contracheque através de uma portaria. Que o PM ao passar para a inatividade deixa de perceber, que a família do policial morto não incorpora na pensão militar. Quanta humilhação, Jesus Cristo...
Este governo não me parece o governo das mudanças. É sim o governo da manutenção das palhaçadas, da desmoralização, do jeitinho engabelador para com os servidores militares. Será que nos tratam assim pelo fato de não termos a competência da realização do Inquérito Policial e não podermos investigar licitações fraudulentas no estado, desvios de verbas, tráfico de influência, etc, pelo fato de nossa missão constitucional ser impedir os "crimes de rua"? Ou será que pelo fato de não podermos fazer greve, isso lhe dá o direito de pisar na tropa? Digo sempre a meus comandados: "Sou policial militar, não sou babaca! Respeito a hierarquia e a disciplina, mas se meu superior hierárquico não me respeita eu também não o respeito".
Neste momento o Governador Marcelo Déda não está respeitando os oficiais de baixa patente da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar. Brevemente um policial civil, elemento de execução, perceberá remuneração maior que um Capitão da Polícia Militar, profissional com curso superior, com comandamento de 150 homens e encarregado de policiar cidades de porte médio do interior sergipano bairros da grande Aracaju. Um capitão PM vai perceber menos que o servidor que faz o boletim de ocorrências na DP! Meu Deus, onde vamos parar?
Um fato deste está beirando os limites da insanidade. Ademais as missões de policiamento, o oficial PM é encarregado da Polícia Judiciária Militar, ou seja, faz as investigações dos crimes militares, labuta como Juiz Militar na Auditoria Militar do TJSE e possui uma série de atribuições que encheria páginas deste desabafo e vai perceber menos que um agente de Polícia Civil.
O que fazer para resolver este problema?
O que tenho a dizer senhor governador é que não conte comigo para nada, vou fazer apenas o "café com leite" do dia-a-dia da caserna. Chega de estudos na área de Segurança Pública (e que ao contrário da PCSE, não nos rende um centavo no holerite), afinal três especializações e duas graduações não estão me servindo de nada. Chega de passar madrugadas acordado, para fiscalizar policiamento, chega de minudências nos procedimentos correcionais disciplinares dos infratores militares, chega de lavrar termo circunstanciado de ocorrências, chega de rigor nas blitz e abordagens realizadas. Chega de tudo. Enquanto o senhor não me respeitar eu vou fingir que trabalho e o senhor vai fingir que me paga...
Senhor Secretário de Segurança Pública, ganhastes uma nova oportunidade: ajude os militares estaduais, pois não haverá segurança pública eficiente com a desvalorização do policial militar. Somos nós que atendemos 97% das ocorrências policiais no estado. Por que não merecemos respeito?
Senhor comandante, você é um dos nossos, veste a farda. Defendo-te com todo o amor que tenho à corporação. Lute para reverter este quadro. Estarei a teu lado. Não deixe a oficialidade sucumbir a esta desmoralização com vistas à preservação de um status quo passageiro e ilusório.
Que Deus nos ajude e olhe por nós!
Capitão PMSE MANO
Esta matéria está no site da ASSOF/MTAcesse: http://www.assofmt.org.br/new/v2/noticias.php?id=152
24/01/09DESABAFO DE UM OFICIAL
Após tomar conhecimento do texto publicado abaixo, a Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar do Estado de Mato Grosso por identificar muitas semelhanças com situações vividas aqui em nosso Estado, decidiu publicá-lo em nosso site.
A realidade vivida pelo Oficial Sergipano, com exceção dos atores que protagonizam o fato, não difere muito da realidade que vivemos em nosso Estado, por isso, caso alguns dos senhores se vejam retratados em alguns instantes no texto, se acalmem, é mera coincidência..
OFICIAIS PM E BM DESMORALIZADOS
Primeiramente vamos às apresentações: sou policial militar a 12 anos, oficial de baixa patente e miliciano por vocação. Sempre admirei a estrutura militar, o orgulho que estes profissionais têm em envergar sua farda, a disciplina, as ordens prontamente executadas, a hierarquia respeitada...
Meus olhos brilhavam nos desfiles de 7 de setembro (os quais eu chegava uma hora antes do início, quando era criança, para não perder a passagem da PM, que para mim era a mais bonita). Sentava nas rodas de conversa da família somente quando meus dois tios que eram soldados contavam suas histórias de trabalho, dos partos que fizeram, dos assaltantes, estupradores e traficantes que prenderam, do orgulho e da satisfação do dever cumprido, e principalmente, da visualização na face das pessoas que estava ali um amigo pronto a lhes ajudar. Todo mundo no bairro onde estes tios meus moravam, enxergava neles os exemplos a serem seguidos por seus filhos. Foi com admiração a estes bravos homens que decidi ingressar na Polícia Militar.
Não foi uma decisão fácil. Minha mãe perguntou se eu estava louco: "Filho, a nota que você tirou na UFS te habilita a fazer qualquer curso lá. Vá ser médico, dentista, advogado...." Lembro-me da resposta que lhe dei: "Mãe, a vontade de ajudar as pessoas está falando mais alto em mim neste momento". Nesta época eu era funcionário concursado do Tribunal de Justiça do Estado, ou seja, ingressei na PM por opção e não por falta dela, como muitos policiais antigos que ingressaram na carreira, mas que aprenderam a amar a farda e defender a sociedade mesmo com o baixo reconhecimento.
Fiz o vestibular da UFS para o Curso de Formação de Oficais, a segunda turma que pode ter o orgulho de dizer que foi aprovada em um concurso limpo, honesto e transparente. A concorrência foi de 51 candidatos por vaga.
Após a aprovação, fui matriculado em uma Academia de Polícia Militar de outro estado e para lá fui, me afastando de meus familiares e amigos, começando praticamente uma nova vida: a do sacerdócio da Segurança Pública. Com um mês de curso, recebo o telefonema de minha irmã. Ela me informava que chegara um telegrama a nossa casa me convocando para ocupar uma vaga no Tribunal Regional Eleitoral do estado, pois antes do concurso da PM eu tinha, também, participado desta seleção.
Passei quatro anos dedicados integralmente à formação. Aulas pela manhã, à tarde, à noite. Aos sábados e, não invariavelmente, aos domingos. Nestes quatro anos, meu cabedal de disciplinas e carga horária cursadas deixa qualquer curso superior de cinco ou seis anos ruborizado de pequenez acadêmica (se é que assim posso dizê-lo).
Formei-me. Retornei a meu estado e não vou negar que o choque cultural foi grande. Sair de uma Academia de uma Polícia Militar de renome e aparecer por aqui, numa corporação em que a bagunça institucional está instalada é complicado.
Passei por três governos, vendo meus superiores hierárquicos enchendo os bolsos de dinheiro com a realização de policiamento de eventos e com a exploração da tropa em serviços particulares ou com empresas de segurança apoiada na logística da corporação e nada podia fazer, pois era um peixe pequeno perto desta conspiração. Achava que a culpa era única e exclusiva deles, destes oficiais, porém entendo que eles estavam fazendo o que eles achavam correto para resolver seus problemas salariais, uma vez que os ex-governadores abandonaram a segurança pública preventiva, sem a realização de qualquer investimento vultoso, principalmente no ser humano policial militar.
Chegou o ano de 2006. Finalmente víamos a possibilidade de um candidato advindo dos movimentos populares assumir a chefia do Poder Executivo estadual. Enxergava-se claramente na face de cada policial militar (o barnabé da segurança pública) a esperança de dias melhores com a eleição de Marcelo Déda. Seu nome despontava com ares messiânicos. Era o único engajado, dos candidatos à época, com propostas para a valorização do profissional de segurança pública.
Veio a eleição, a qual o resultado nós bem conhecemos. Tive a oportunidade de comandar o policiamento no CIC, local de apuração, e, após o anúncio do nome de Marcelo Déda como governador do Estado de Sergipe, dezenas de policiais militares quebraram o protocolo castrense e começaram a se abraçar e a chorar, ali mesmo, junto com os populares presentes ao evento. Não pude me conter, e fui aos prantos também. Vi, naquele dia, a possibilidade do policial militar viver única e exclusivamente de seus vencimentos, de possuir uma jornada semanal de trabalho fixada (não ficando ao arbítrio da vontade de seu comandante para trabalhar infindavelmente), de ser respeitado tal qual qualquer trabalhador comum.
Após dois anos de governo, a tropa perdeu a esperança. Assistimos a uma série de trapalhadas monumentais realizadas por aquele que tanto utilizou a ética como plataforma de campanha política. A Polícia Civil do Estado de Sergipe foi aquinhoada com uma conquista salarial histórica. Um agente de Polícia Civil vai perceber 45% dos vencimentos de um delegado de sua respectiva classe. Some-se a isso que eles ainda possuem adicional noturno e o direito à percepção de horas-extras, pelo fato de possuírem carga horária semanal de trabalho fixadas, além da gratificação de curso e do adicional de um terço ao vencimento-base ao completar vinte e cinco anos de serviço. E o que veio para a PM? O reajuste em cima de uma gratificação precária que o comandante geral pode tirar e pôr no contracheque através de uma portaria. Que o PM ao passar para a inatividade deixa de perceber, que a família do policial morto não incorpora na pensão militar. Quanta humilhação, Jesus Cristo...
Este governo não me parece o governo das mudanças. É sim o governo da manutenção das palhaçadas, da desmoralização, do jeitinho engabelador para com os servidores militares. Será que nos tratam assim pelo fato de não termos a competência da realização do Inquérito Policial e não podermos investigar licitações fraudulentas no estado, desvios de verbas, tráfico de influência, etc, pelo fato de nossa missão constitucional ser impedir os "crimes de rua"? Ou será que pelo fato de não podermos fazer greve, isso lhe dá o direito de pisar na tropa? Digo sempre a meus comandados: "Sou policial militar, não sou babaca! Respeito a hierarquia e a disciplina, mas se meu superior hierárquico não me respeita eu também não o respeito".
Neste momento o Governador Marcelo Déda não está respeitando os oficiais de baixa patente da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar. Brevemente um policial civil, elemento de execução, perceberá remuneração maior que um Capitão da Polícia Militar, profissional com curso superior, com comandamento de 150 homens e encarregado de policiar cidades de porte médio do interior sergipano bairros da grande Aracaju. Um capitão PM vai perceber menos que o servidor que faz o boletim de ocorrências na DP! Meu Deus, onde vamos parar?
Um fato deste está beirando os limites da insanidade. Ademais as missões de policiamento, o oficial PM é encarregado da Polícia Judiciária Militar, ou seja, faz as investigações dos crimes militares, labuta como Juiz Militar na Auditoria Militar do TJSE e possui uma série de atribuições que encheria páginas deste desabafo e vai perceber menos que um agente de Polícia Civil.
O que fazer para resolver este problema?
O que tenho a dizer senhor governador é que não conte comigo para nada, vou fazer apenas o "café com leite" do dia-a-dia da caserna. Chega de estudos na área de Segurança Pública (e que ao contrário da PCSE, não nos rende um centavo no holerite), afinal três especializações e duas graduações não estão me servindo de nada. Chega de passar madrugadas acordado, para fiscalizar policiamento, chega de minudências nos procedimentos correcionais disciplinares dos infratores militares, chega de lavrar termo circunstanciado de ocorrências, chega de rigor nas blitz e abordagens realizadas. Chega de tudo. Enquanto o senhor não me respeitar eu vou fingir que trabalho e o senhor vai fingir que me paga...
Senhor Secretário de Segurança Pública, ganhastes uma nova oportunidade: ajude os militares estaduais, pois não haverá segurança pública eficiente com a desvalorização do policial militar. Somos nós que atendemos 97% das ocorrências policiais no estado. Por que não merecemos respeito?
Senhor comandante, você é um dos nossos, veste a farda. Defendo-te com todo o amor que tenho à corporação. Lute para reverter este quadro. Estarei a teu lado. Não deixe a oficialidade sucumbir a esta desmoralização com vistas à preservação de um status quo passageiro e ilusório.
Que Deus nos ajude e olhe por nós!
Capitão PMSE MANO
Governador procurará partido
O governador Jaques Wagner admitiu também que as eleições municipais resultaram num problema de relacionamento do governo com o PMDB e que cabe neste momento uma conversa com o partido. “Evidentemente que cada fato político (como as eleições municipais) tem suas consequências e estou esperando o momento para ter uma conversa com o PMDB”, disse. Questionado sobre a tese que cresce entre setores do PT de que, passada as eleições à Assembleia (ganha pelo governo) e à UPB (cuja presidência ficou com um peemedebista), teria chegado o momento de sentar com o partido do ministro e pactuar um compromisso de apoio à sua reeleição ao governo em 2010, o governador preferiu se esquivar. . “Não estou preocupado com compromisso para 2010. Estou preocupado com a governabilidade - não na Assembleia, porque nesta eu tenho maioria. Estou preocupado com a governabilidade, porque nós não podemos ficar num governo e apontar dois caminhos. Este governo tem um caminho só. Preciso que a gente decida como fazer para caminhar as coisas juntos”, disse. Perguntado sobre se a questão nacional influiria na relação com o PMDB no Estado, o governador declarou que tem um peso relativo. “O peso dominante é a condução política no Estado, que tem interação com a nacional. Tanto o presidente quanto eu temos interesses em manter o PMDB na base. Agora, tem que ver como esta pactuação anda”, enfatizou. Em relação às declarações recentes do prefeito João Henrique (PMDB) no sentido de se reaproximar do governo, Wagner foi enfático: “é um ato de vontade dele. Até porque eu nunca me movimentei da minha posição. Quem disse que o PMDB tinha que ir para a oposição foi ele, não eu. Não vou debater mais com o prefeito. Se ele foi e agora quer voltar…”. Por tabela, o governador negou que o PDT tenha fechado a indicação do novo secretário de Ciência e Tecnologia em troca do apoio formal da direção da legenda ao seu governo. “Não está definida a secretaria, mas já conversei com Severiano Alves, presidente estadual do partido, com o ministro Carlos Luppi e com a bancada estadual sobre a ampliação da base. As negociações com o partido visam à ampliação da base, movimento iniciado com a atração do PP para o governo, mas precisam chegar ao final, “se as demandas colocadas forem possíveis de ser atendidas”, concluiu.
PTx PMDB: o jogo continua
Respaldado pela vitória na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia, quando o deputado Marcelo Nilo (PSDB) foi reeleito para a Presidência com 41 votos, o governador Jaques Wagner (PT) elevou o tom das suas declarações em torno da complicada relação que vem mantendo com o PMDB baiano desde as eleições municipais de 2008. Acusou os peemedebistas de traição por terem votado no candidato da oposição, o deputado Elmar Nascimento (PR) e deixou no ar a possibilidade de ter chegado a hora de "resolver" as coisas com o PMDB, cobrando uma posição definitiva a respeito da aliança.
Pessoalmente não acredito que estejamos à beira do ponto de ruptura entre os aliados-adversários - ou do fim deste jogo de gato e rato que eles disputam - porque está muito cedo para definições radicais. Falta mais de um ano para que o quadro político da sucessão do presidente Lula fique mais claro e este é um fator preponderante nas decisões futuras da Bahia. E também porque uma briga aberta entre PT e PMDB na Bahia agora pode ter repercussões ruins no quadro nacional e dificultar as relações entre as duas legendas em Brasília. E isto é o que Lula menos deseja neste momento em que inicia a montagem da estrutura da sua sucessão na qual o PMDB é figura essencial.
O governador baiano não desconhece estas variáveis e, como fiel aliado de Lula, vai agir para ajudar e não para criar problemas políticos para o seu amigo pessoal. Na minha opinião, as palavras de Wagner devem ser vistas como a tentativa de, aproveitando o momento positivo, inverter o jogo e, saindo da posição cautelosa que tem sido forçado a adotar, reduzir o ímpeto do PMDB baiano e colocá-lo na defensiva.
Mesmo correndo o risco de errar fragorosamente, o que sempre é possível na dinâmica e instável cena política, acho que ainda teremos muitas conversas entre Jaques Wagner e Geddel Vieira Lima, antes da palavra final sobre o fim do namoro ou da benção das alianças. O que deve variar, até lá, é o tom empregado pelos dois lados, que terá a altura da força que cada um possua no momento.
Pessoalmente não acredito que estejamos à beira do ponto de ruptura entre os aliados-adversários - ou do fim deste jogo de gato e rato que eles disputam - porque está muito cedo para definições radicais. Falta mais de um ano para que o quadro político da sucessão do presidente Lula fique mais claro e este é um fator preponderante nas decisões futuras da Bahia. E também porque uma briga aberta entre PT e PMDB na Bahia agora pode ter repercussões ruins no quadro nacional e dificultar as relações entre as duas legendas em Brasília. E isto é o que Lula menos deseja neste momento em que inicia a montagem da estrutura da sua sucessão na qual o PMDB é figura essencial.
O governador baiano não desconhece estas variáveis e, como fiel aliado de Lula, vai agir para ajudar e não para criar problemas políticos para o seu amigo pessoal. Na minha opinião, as palavras de Wagner devem ser vistas como a tentativa de, aproveitando o momento positivo, inverter o jogo e, saindo da posição cautelosa que tem sido forçado a adotar, reduzir o ímpeto do PMDB baiano e colocá-lo na defensiva.
Mesmo correndo o risco de errar fragorosamente, o que sempre é possível na dinâmica e instável cena política, acho que ainda teremos muitas conversas entre Jaques Wagner e Geddel Vieira Lima, antes da palavra final sobre o fim do namoro ou da benção das alianças. O que deve variar, até lá, é o tom empregado pelos dois lados, que terá a altura da força que cada um possua no momento.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Dilma já está em campanha
Quanto perguntada, por um jornalista, se realmente deseja ser candidata à Presidência da República, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não encontrou saída nem achou uma resposta inteligente a dar. Então optou por dizer: "Esta resposta você não vai tirar de mim nem amarrada". Candidata do peito do presidente Lula, a ministra até já deu uma guaribada no visual para ficar com uma aparência mais simpática e sequer precisava responder à pergunta mesmo. O Brasil inteiro já sabe que ela dorme e acorda pensando naquilo.
Tanto é que hoje, em companhia do ministro da Integração Regional, Geddel Vieira Lima, Dilma estará no sertão de Pernambuco para visitar os canteiros de obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. A atividade é típica de movimentação eleitoral, mesmo que não tenha este apelido.
Tanto é que hoje, em companhia do ministro da Integração Regional, Geddel Vieira Lima, Dilma estará no sertão de Pernambuco para visitar os canteiros de obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. A atividade é típica de movimentação eleitoral, mesmo que não tenha este apelido.
Geddel na pole para vice
Mesmo afirmando sempre que não trabalha para isto e até dizendo que não está nos seus planos, o ministro da Integração Regional, o baiano Geddel Vieira Lima, é hoje o mais forte candidato à vaga de vice-presidente numa futura chapa com Dilma Rousseff, a candidata do peito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E isto devido a algumas razões objetivas e simples:
1- A força conquistada pelo PMDB nas eleições municipais e o prestígio da legenda ao assumir o comando da Câmara Federal e do Senado praticamente colocam no colo do partido a indicação para vice; 2- A ministra Dilma Rousseff, embora sendo mineira, tem sua trajetória política toda vinculada ao Rio Grande do Sul, o que favorece a indicação de um nome nordestino como forma de dar equilíbrio à chapa; 3- O presidente Lula, principal eleitor do país, tem excelentes relações com Geddel Vieira Lima, melhores do que as que tem com o senador Jarbas Vasconcelos (PE), que é o outro nome nordestino citado neste cenário; e 4- A indicação do ministro ajudaria a resolver o impasse baiano, tirando da cola do governador Jaques Wagner - amigo pessoal de Lula - um possível forte candidato ao Governo do Estado em 2010.
Por tudo isto é que Geddel surge como favorito a ser o "Dilmo da Dilma", como foi dito esta semana. É claro que, com mais de um ano de antecedência da definição da chapa, seria ingenuidade ou burrice assumir este favoritismo ou antecipar planos. E o ministro, certamente, não pode ser acusado de nenhuma destas duas fraquezas.
1- A força conquistada pelo PMDB nas eleições municipais e o prestígio da legenda ao assumir o comando da Câmara Federal e do Senado praticamente colocam no colo do partido a indicação para vice; 2- A ministra Dilma Rousseff, embora sendo mineira, tem sua trajetória política toda vinculada ao Rio Grande do Sul, o que favorece a indicação de um nome nordestino como forma de dar equilíbrio à chapa; 3- O presidente Lula, principal eleitor do país, tem excelentes relações com Geddel Vieira Lima, melhores do que as que tem com o senador Jarbas Vasconcelos (PE), que é o outro nome nordestino citado neste cenário; e 4- A indicação do ministro ajudaria a resolver o impasse baiano, tirando da cola do governador Jaques Wagner - amigo pessoal de Lula - um possível forte candidato ao Governo do Estado em 2010.
Por tudo isto é que Geddel surge como favorito a ser o "Dilmo da Dilma", como foi dito esta semana. É claro que, com mais de um ano de antecedência da definição da chapa, seria ingenuidade ou burrice assumir este favoritismo ou antecipar planos. E o ministro, certamente, não pode ser acusado de nenhuma destas duas fraquezas.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
WAGNER SANCIONA LEI ORGÂNICA DA POLÍCIA
O governador Jaques Wagner sanciona, nesta quarta-feira (04), a Lei Orgânica que estrutura a Polícia Civil do Estado da Bahia. A estruturação organizacional da Polícia Civil, com a criação de novos departamentos e a exigência do nível superior para ingresso em todas as carreiras são algumas das alterações previstas na nova Lei Orgânica. A nova estrutura da categoria foi aprovada na Assembléia Legislativa no dia 13 de janeiro. Os policiais civis chegaram a fazer nove dias de greve em dezembro como forma de pressionar o governo do estado a enviar para a Assembléia o projeto responsável por reformular a legislação que rege a classe.
PMDB domina Congresso, fala em nome para 2010
PMDB domina Congresso, fala em nome para 2010, mas mira vaga de vice
Pressão do governo na eleição da Câmara e abandono a petista no Senado garantiram vitória de Sarney e Temer
Com a eleição de José Sarney (AP) e Michel Temer (SP) para a presidência do Senado e Câmara, respectivamente, o PMDB passa a dominar o Congresso, mas sob as bênçãos do Palácio do Planalto. Sem se esquecer, como é da tradição do partido, de que cobrará caro pelo apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus dois anos finais de governo. O resultado satisfaz ao Planalto, que atrai o PMDB para 2010. Vitaminado, o partido até fala em nome próprio para a sucessão, mas na realidade mira a vaga de vice.,
Confira os perfis de Michel Temer e José Sarney
A estratégia de Lula na Câmara foi clara: operou para ajudar Temer, exigindo fidelidade dos petistas e liberando os ministros de outras legendas para fazer campanha. No Senado, bastou deixar que o novo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), coordenasse a candidatura de José Sarney.
Temer e Sarney foram eleitos com folga e sem sustos, o primeiro com 304 votos e o segundo com 49. No Senado, não foi possível executar a estratégia em favor de Sarney sem tornar ostensivo o abandono ao candidato do PT, Tião Viana (AC).
Quem sustentou a candidatura de Viana, durante longo tempo, foi o dissidente peemedebista Jarbas Vasconcelos( PE). O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, do PTB, que participou de todas as reuniões pró-Temer no domingo, cuidou apenas de produzir frases burocráticas dizendo acreditar nas chances de Viana.
Os governadores petistas do Nordeste - Marcelo Déda (SE), Jaques Wagner (BA) e Wellington Dias (PI) - foram a Brasília e fizeram campanha para Temer, mantendo-se indiferentes ao candidato do PT no Senado. Este, que contabilizava 43 votos, teve 11 a menos.
Tanto Sarney quanto Temer anunciaram, em seus discursos, que vão montar uma agenda que ajude a combater a crise financeira global. Prometeram votar todos os projetos do governo para tentar aliviar a crise, manter o emprego e o crescimento econômico, além de permitir distribuição de renda.
''LULISMO''
Prevaleceu na eleição das duas Casas do Congresso o que o mundo político já chama de "lulismo", que se caracteriza pelo apoio ao Planalto, independentemente do que pense o PT. Desde que o presidente iniciou o segundo mandato, em janeiro de 2007, o "lulismo" prevalece sobre o "petismo".
"Foi muito ruim para o PT. Com as duas Casas, o PMDB vai mandar na sucessão do presidente Lula", declarou, alarmado, o deputado Walter Pinheiro (BA), um dos petistas vice-líderes do governo no Congresso. "Vamos acabar ficando nas mãos deles nas próximas eleições para a Presidência."
O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), concordou que o PMDB se fortaleceu muito. Mas disse que é preciso esperar. "A força do PMDB é grande. Hoje está com o presidente Lula, mas pode vir a apoiar outro candidato."
OLHO EM 2010
O PMDB já fala abertamente na sucessão. Dizem seus líderes que se cansaram de serem coadjuvantes: querem ser os protagonistas. "Temos nomes e condições de deixar de ser a noiva para passar à condição de noivo", disse o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), futuro presidente do partido.
No entanto, como sempre acontece com o PMDB, não há consenso sobre a candidatura, pois o partido possui duas alas. Uma atua na Câmara e tem o comando partidário, com Temer, Eunício e Geddel Vieira Lima (ministro da Integração Nacional). A outra foi montada no Senado e tem Sarney, Renan, Hélio Costa (ministro das Comunicações), Edison Lobão (Minas e Energia) e Sérgio Cabral (governador do Rio).
Dividido, o PMDB fala também em indicar candidato a vice-presidente - ou na chapa do governo, com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), ou da oposição, com o governador José Serra (PSDB). Nomes há. O próprio Eunício enumerou alguns deles: Cabral, Geddel, Temer e Lobão.
Pressão do governo na eleição da Câmara e abandono a petista no Senado garantiram vitória de Sarney e Temer
Com a eleição de José Sarney (AP) e Michel Temer (SP) para a presidência do Senado e Câmara, respectivamente, o PMDB passa a dominar o Congresso, mas sob as bênçãos do Palácio do Planalto. Sem se esquecer, como é da tradição do partido, de que cobrará caro pelo apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus dois anos finais de governo. O resultado satisfaz ao Planalto, que atrai o PMDB para 2010. Vitaminado, o partido até fala em nome próprio para a sucessão, mas na realidade mira a vaga de vice.,
Confira os perfis de Michel Temer e José Sarney
A estratégia de Lula na Câmara foi clara: operou para ajudar Temer, exigindo fidelidade dos petistas e liberando os ministros de outras legendas para fazer campanha. No Senado, bastou deixar que o novo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), coordenasse a candidatura de José Sarney.
Temer e Sarney foram eleitos com folga e sem sustos, o primeiro com 304 votos e o segundo com 49. No Senado, não foi possível executar a estratégia em favor de Sarney sem tornar ostensivo o abandono ao candidato do PT, Tião Viana (AC).
Quem sustentou a candidatura de Viana, durante longo tempo, foi o dissidente peemedebista Jarbas Vasconcelos( PE). O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, do PTB, que participou de todas as reuniões pró-Temer no domingo, cuidou apenas de produzir frases burocráticas dizendo acreditar nas chances de Viana.
Os governadores petistas do Nordeste - Marcelo Déda (SE), Jaques Wagner (BA) e Wellington Dias (PI) - foram a Brasília e fizeram campanha para Temer, mantendo-se indiferentes ao candidato do PT no Senado. Este, que contabilizava 43 votos, teve 11 a menos.
Tanto Sarney quanto Temer anunciaram, em seus discursos, que vão montar uma agenda que ajude a combater a crise financeira global. Prometeram votar todos os projetos do governo para tentar aliviar a crise, manter o emprego e o crescimento econômico, além de permitir distribuição de renda.
''LULISMO''
Prevaleceu na eleição das duas Casas do Congresso o que o mundo político já chama de "lulismo", que se caracteriza pelo apoio ao Planalto, independentemente do que pense o PT. Desde que o presidente iniciou o segundo mandato, em janeiro de 2007, o "lulismo" prevalece sobre o "petismo".
"Foi muito ruim para o PT. Com as duas Casas, o PMDB vai mandar na sucessão do presidente Lula", declarou, alarmado, o deputado Walter Pinheiro (BA), um dos petistas vice-líderes do governo no Congresso. "Vamos acabar ficando nas mãos deles nas próximas eleições para a Presidência."
O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), concordou que o PMDB se fortaleceu muito. Mas disse que é preciso esperar. "A força do PMDB é grande. Hoje está com o presidente Lula, mas pode vir a apoiar outro candidato."
OLHO EM 2010
O PMDB já fala abertamente na sucessão. Dizem seus líderes que se cansaram de serem coadjuvantes: querem ser os protagonistas. "Temos nomes e condições de deixar de ser a noiva para passar à condição de noivo", disse o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), futuro presidente do partido.
No entanto, como sempre acontece com o PMDB, não há consenso sobre a candidatura, pois o partido possui duas alas. Uma atua na Câmara e tem o comando partidário, com Temer, Eunício e Geddel Vieira Lima (ministro da Integração Nacional). A outra foi montada no Senado e tem Sarney, Renan, Hélio Costa (ministro das Comunicações), Edison Lobão (Minas e Energia) e Sérgio Cabral (governador do Rio).
Dividido, o PMDB fala também em indicar candidato a vice-presidente - ou na chapa do governo, com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), ou da oposição, com o governador José Serra (PSDB). Nomes há. O próprio Eunício enumerou alguns deles: Cabral, Geddel, Temer e Lobão.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Para Lula, céu é o limite
O presidente Lula iniciou, em 1º de janeiro, a segunda metade do seu segundo mandato presidencial e entrou naquela categoria que os políticos gostam de chamar de "sol poente", quando o o tempo que resta no poder é menor do que o período já passado no cargo. O normal, nestes casos, é uma queda acentuada na popularidade, tanto do governo como do detentor do cargo, como aconteceu, por exemplo, com Fernando Henrique Cardoso.
Mas Lula parece que vai entrar para a história como o desmantelador deste mito. Afinal, segundo pesquisa de opinião feita pelo Instituto Sensus a pedido da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), o governo federal e o presidente Lula estão agora com a melhor aprovação na história da pesquisa, iniciada em 1998. O governo teve avaliação positiva de 72,5% dos entrevistados, contra 5% que o avaliaram negativamente e 21,7% que o classificaram como regular. A avaliação pessoal do presidente também obteve a melhor avaliação histórica da pesquisa, com 84% - maior que o índice registrado na primeira posse de Lula, em 2003, quando obteve 83,6% - contra 80,3% de dezembro do ano passado.
Ou seja, Lula tem, hoje, melhor índice de aprovação e de popularidade do que quando tomou posse pela primeira vez, normalmente o ponto alto de popularidade de qualquer presidente. É um fenômeno que navega com tranquilidade mesmo nos mares bravios de crises políticas e financeiras.
Mas Lula parece que vai entrar para a história como o desmantelador deste mito. Afinal, segundo pesquisa de opinião feita pelo Instituto Sensus a pedido da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), o governo federal e o presidente Lula estão agora com a melhor aprovação na história da pesquisa, iniciada em 1998. O governo teve avaliação positiva de 72,5% dos entrevistados, contra 5% que o avaliaram negativamente e 21,7% que o classificaram como regular. A avaliação pessoal do presidente também obteve a melhor avaliação histórica da pesquisa, com 84% - maior que o índice registrado na primeira posse de Lula, em 2003, quando obteve 83,6% - contra 80,3% de dezembro do ano passado.
Ou seja, Lula tem, hoje, melhor índice de aprovação e de popularidade do que quando tomou posse pela primeira vez, normalmente o ponto alto de popularidade de qualquer presidente. É um fenômeno que navega com tranquilidade mesmo nos mares bravios de crises políticas e financeiras.
DEPUTADO DIZ QUE PT AGORA É COADJUVANTE DO PMDB
O deputado comunista maranhense Flávio Dino avaliou a eleição de José Sarney para a presidência do Senado e de Michel Temer para a Câmara como uma dupla vitória que fará com que o PT seja coadjuvante do PMDB na política nacional. Desta maneira, o PT, que costurou um acordo anos atrás com os peemedebistas para que a legenda tivesse os dois presidentes em 2009, não terá mais a possibilidade de coordenar as discussões do bloco de coalizão do governo nas duas casas. “O PT tinha dois fortes trunfos: o poder institucional, com a presidência da Câmara, e o presidente Lula. Agora, não tem mais a presidência da Câmara e Lula não é mais candidato. O maior perdedor é o PT”, avaliou Dino. O deputado fez ainda uma comparação e disse que o prédio em que os políticos habitam ainda é o mesmo, mas que o síndico é novo e a administração do condomínio está sob nova direção.
PMDB CACIFADO PARA AS ELEIÇÕES DE 2010
Fortalecido no Congresso, o apoio do PMDB será decisivo para eleger o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. O partido - dono das maiores bancadas na Câmara e no Senado - já havia se cacifado nas eleições municipais de outubro, quando elegeu o maior número de prefeitos do país. Ao eleger hoje os presidentes do Senado e da Câmara -José Sarney (AP) e Michel Temer (SP), respectivamente -, o PMDB se consolida no papel da "noiva" cobiçada nas alianças partidárias que serão fechadas para as eleições de 2010. Sarney, por exemplo, declarou publicamente sua preferência pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Esse apoio público e antecipado, entretanto, não define a parceria do PMDB nas eleições de 2010. É que o PMDB é um partido dividido. A ala liderada pelo presidente do diretório estadual do partido em São Paulo, Orestes Quércia, por exemplo, caminha pelo apoio ao governador José Serra (PSDB). Na Bahia, o líder da legenda, ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) defende a o apoio a Dilma.
Dilma: com Temer e Sarney, base do governo foi vitoriosa
Em rápida entrevista ao deixar a Câmara após sessão do Congresso, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje que a eleição dos peemedebistas Michel Temer para a presidência da Câmara e José Sarney para o comando do Senado "significa que a base do governo foi vitoriosa." A ministra tentou desvincular a disputa no Congresso da eleição presidencial de 2010. "Estamos falando, agora, de 2009, e esta vitória é em 2009", afirmou.Ela acrescentou que o resultado das eleições na Câmara e no Senado tem que ser visto como "uma contribuição à governabilidade." Por fim, a ministra elogiou Temer e Sarney: "São dois grandes brasileiros com competência para dirigir a Câmara e o Senado", declarou.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
AL: WAGNER E DEM VITORIOSOS NA ELEIÇÃO
Passado o calor do momento, os deputados começam a analisar com mais profundidade o resultado da reeleição de Marcelo Nilo (PSDB) na Assembléia. Analisam que o governador Jaques Wagner obteve uma vitória política importante, derrotando o ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, cujo partido ficou sem lugar na Mesa Diretora, embora o PT também. Analisam que o PMDB está mesmo em rota de colisão com o governo, já que os peemedebistas, ao que tudo indica, votaram, ao lado do democratas, em Elmar Nascimento (PR), que obteve quase o patamar mínimo de votos que a oposição esperava com a ajuda do partido de Geddel - 22. Além disso, ficou claro que o DEM ampliou suas forças, e, dos três maiores partidos do estado, incluindo PT e PMDB, é o único que permaneceu na Mesa, e com dois cargos. Os democratas só não estão mais felizes do que o governador.
Lula sai do confronto do Congresso como derrotado
Não importa o resultado. Vença quem vencer, Lula sairá da guerra em que se converteu a troca de comando no Legislativo com o semblante da derrota.
No presidencialismo à brasileira, tisnado pela hipertrofia do Executivo, é usual que o Planalto meta-se em disputas que deveriam ser exclusivas do Congresso.
Na cruzada deste início de 2009, Lula desceu ao front com dois objetivos:
1. Estabelecer o equilíbrio congressual entre PMDB e PT, os dois sócios majoritários do consórcio governista.
2. Afastar o PMDB, tanto quanto possível, da zona de influência do tucano José Serra, adversário provável de Dilma Rousseff, a pré-candidata oficial para 2010.
Não conseguiu nem uma coisa nem outra. Observe-se primeiro o cenário da Câmara.
Ali, vencendo ou perdendo, o PMDB de Michel Temer vai a 2010 como um equilibrista em cima do muro. Pode descer de qualquer lado.
Sob influência de Serra, PSDB e DEM juntaram-se ao PT no blocão que dá suporte a Temer. Em caso de sucesso, a oposição será sócia do empreendimento.
Na hipótese de derrota, a conta será debitada, sobretudo, ao petismo, que flerta com a traição. Uma perfídia tonificada pelos movimentos erráticos de Lula no Senado.
Foi ali, nos subterrâneos do Senado, que se desenhou o Waterloo de Lula. Primeiro, o presidente açulou a candidatura de Tião Viana.
Depois, acomodou Tião numa trilha que o conduziria para um hotel sinistro de beira de estrada, com Anthony Perkins na portaria.
Em quatro oportunidades, Lula ouvira de José Sarney: “Não serei candidato”. Deu crédito à lorota. Diante da meia-volta de Sarney, submeteu Tião ao assédio da faca.
No momento em que a “Psicose” que regia a (des)articulação do Planalto transformava Tião Viana numa espécie de Janeth Leigh a caminho do chuveiro, surgiu o PSDB.
Depois de quase fechar com Sarney, o tucanato, sentindo-se desatendido, bandeou-se para a tropa de Tião.
Com esse gesto, a cavalaria tucana como que resgatou um renegado Tião do epílogo de fita de Hitchcock que o Planalto traçara para ele.
O triunfo de Sarney, agora incerto, imporá a Lula a hegemonia congressual do PMDB, que o presidente queria evitar. Uma hegemonia errática.
A gula de Sarney restabeleceu o abismo que separa o PMDB do Senado do peemedebismo da Câmara.
Os dois grupos disputam, aos tapas, o posto de interlocutor do partido na sucessão de Lula.
De resto, Sarney reacomodou na vitrine o ex-quase-cassado Renan Calheiros, que volta a se impor, com seu estilo morde-e-assopra, como interlocutor incontornável e incômodo de Lula.
A vitória de Tião, se vier, chegará a despeito de Lula, não por causa dele. O candidato petista vai à crônica da guerra como devedor do oposicionista PSDB.
Nos arredores de Lula, diz-se que, numa disputa que opõe dois governistas, o presidente estaria condenado à vitória no Senado. Tolice.
Lula está na bica de converter-se num dos vitoriosos mais perdedores dos baixios políticos de Brasília.
No presidencialismo à brasileira, tisnado pela hipertrofia do Executivo, é usual que o Planalto meta-se em disputas que deveriam ser exclusivas do Congresso.
Na cruzada deste início de 2009, Lula desceu ao front com dois objetivos:
1. Estabelecer o equilíbrio congressual entre PMDB e PT, os dois sócios majoritários do consórcio governista.
2. Afastar o PMDB, tanto quanto possível, da zona de influência do tucano José Serra, adversário provável de Dilma Rousseff, a pré-candidata oficial para 2010.
Não conseguiu nem uma coisa nem outra. Observe-se primeiro o cenário da Câmara.
Ali, vencendo ou perdendo, o PMDB de Michel Temer vai a 2010 como um equilibrista em cima do muro. Pode descer de qualquer lado.
Sob influência de Serra, PSDB e DEM juntaram-se ao PT no blocão que dá suporte a Temer. Em caso de sucesso, a oposição será sócia do empreendimento.
Na hipótese de derrota, a conta será debitada, sobretudo, ao petismo, que flerta com a traição. Uma perfídia tonificada pelos movimentos erráticos de Lula no Senado.
Foi ali, nos subterrâneos do Senado, que se desenhou o Waterloo de Lula. Primeiro, o presidente açulou a candidatura de Tião Viana.
Depois, acomodou Tião numa trilha que o conduziria para um hotel sinistro de beira de estrada, com Anthony Perkins na portaria.
Em quatro oportunidades, Lula ouvira de José Sarney: “Não serei candidato”. Deu crédito à lorota. Diante da meia-volta de Sarney, submeteu Tião ao assédio da faca.
No momento em que a “Psicose” que regia a (des)articulação do Planalto transformava Tião Viana numa espécie de Janeth Leigh a caminho do chuveiro, surgiu o PSDB.
Depois de quase fechar com Sarney, o tucanato, sentindo-se desatendido, bandeou-se para a tropa de Tião.
Com esse gesto, a cavalaria tucana como que resgatou um renegado Tião do epílogo de fita de Hitchcock que o Planalto traçara para ele.
O triunfo de Sarney, agora incerto, imporá a Lula a hegemonia congressual do PMDB, que o presidente queria evitar. Uma hegemonia errática.
A gula de Sarney restabeleceu o abismo que separa o PMDB do Senado do peemedebismo da Câmara.
Os dois grupos disputam, aos tapas, o posto de interlocutor do partido na sucessão de Lula.
De resto, Sarney reacomodou na vitrine o ex-quase-cassado Renan Calheiros, que volta a se impor, com seu estilo morde-e-assopra, como interlocutor incontornável e incômodo de Lula.
A vitória de Tião, se vier, chegará a despeito de Lula, não por causa dele. O candidato petista vai à crônica da guerra como devedor do oposicionista PSDB.
Nos arredores de Lula, diz-se que, numa disputa que opõe dois governistas, o presidente estaria condenado à vitória no Senado. Tolice.
Lula está na bica de converter-se num dos vitoriosos mais perdedores dos baixios políticos de Brasília.
Combate à crise dá visibilidade a Dilma
Disposta a enfrentar nas ruas o teste da crise econômica para consolidar sua pré-candidatura à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, adicionou um ingrediente político à dieta orçamentária da Esplanada. Dilma já traçou duas estratégias para a entressafra eleitoral. Além de intensificar as viagens para se tornar mais conhecida, ela terá papel de destaque no anúncio dos investimentos que embalarão o pacote do governo para conter a crise. Sob o pretexto de verificar o andamento das obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra aproveitará as excursões pelo Brasil para se aproximar da população, de olho em 2010.Seguindo recomendação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela vai "traduzir" o PAC para a vida real: a ideia é explicar na prática que investir em infraestrutura significa distribuir renda e gerar empregos. "Mas é só a Dilma que vai viajar? E o Serra?", pergunta, com uma pitada de ironia, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, numa referência ao governador José Serra, pré-candidato do PSDB à sucessão de Lula. Bem-humorado, Bernardo diz que petistas e tucanos vão até se reunir para acertar roteiros diferentes. "Estamos fazendo tratativas com a equipe do Serra para evitar a sobreposição de agendas", diz ele.Lula já começou a montar um núcleo de apoio, dentro do PT, para ajudar Dilma a ganhar musculatura política. Escalou para a tarefa os ex-prefeitos Marta Suplicy (São Paulo), João Paulo (Recife) e Fernando Pimentel (Belo Horizonte). Companheiro de Dilma no Comando de Libertação Nacional (Colina), organização de esquerda que desafiou a ditadura, Pimentel é, nesse trio, o mais próximo da ministra. "O problema da Dilma é que, como ela nunca disputou eleição, não tem jogo de cintura política. E, pior, vai estrear logo no Maracanã", provoca o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ao afirmar que Serra larga com vantagem sobre a chefe da Casa Civil pelo "recall" (lembrança) das eleições a que concorreu. "Que eu saiba, Serrinha paz e amor ainda não apareceu", devolve Paulo Bernardo. "E, como diria meu amigo petista Vladimir Palmeira, não vamos confundir jogo de cintura com teatro rebolado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Dilma apresentada como futura presidenta por Lula
Lula apresenta Dilma como futura presidente
Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e presidente Lula no Fórum Social Mundial, ontem: sucessora
Em clima de despedida, o presidente Lula apresentou ontem a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aos organizadores do Fórum Social Mundial. Na sua última participação no evento como presidente, ele avaliou que o próximo encontro, em 2011, possivelmente no exterior, contará com a presença da ministra. “Se for em 2010, eu ainda irei como presidente. Mas se for em 2011, já vai ser a Dilma”, disse, sob aplausos de cerca de 100 pessoas.
No encontro, Lula encarregou a ministra de apresentar a proposta de uma Conferência Nacional de Comunicação, que começará com debates nos Estados e municípios. O evento, que ele pretende organizar ainda neste ano, discutirá um velho projeto do governo de regulamentar o setor. Lula espera que ainda neste ano possa realizar a conferência e aprovar o projeto no Congresso. O próprio presidente avalia, no entanto, que o assunto não tem consenso na área.
Quase sempre ao lado do presidente, Dilma teve uma atuação discreta nos dois dias em que esteve em Belém. Evitou holofotes e participou de encontros fechados de Lula com os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Corrêa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai).
Durante o seminário “A América Latina e o Desafio da Crise Financeira”, que reuniu cerca de cinco mil pessoas e contou com a presença dos presidentes sul-americanos na noite de quinta-feira, Dilma recebeu aplausos dos participantes do fórum. O novo visual da ministra não passou despercebido no fórum. Quando sua imagem apareceu nos telões instalados no local do seminário, a multidão assoviou. Mesmo evitando a imprensa, a ministra ofuscou a presença de 11 colegas de governo que participam do encontro de Belém.
Os organizadores do fórum pediram a Lula que a diplomacia brasileira ajude a resolver problemas de vistos para os participantes da próxima versão do evento nos Estados Unidos, no México ou em um país árabe, possíveis sedes da versão 2011 do fórum. Em entrevista, o presidente disse que não esteve no Fórum Econômico Mundial, em Davos, por não considerar o evento neste ano “interessante”.
Ele aproveitou a presença de ativistas europeus e americanos na reunião com os organizadores do Fórum Social para criticar as negociações de paz no Oriente Médio. Lula defendeu que os representantes do Hamas, adversário de Israel e do atual governo palestino, sejam ouvidos nas negociações. O presidente relatou que num encontro recente com um diplomata palestino perguntou como o governo palestino avaliaria a possibilidade dele, Lula, conversar com o Hamas. O diplomata respondeu que gostaria que isso não ocorresse.
Ele elogiou a realização do Fórum Social Mundial em Belém. “O presidente da República não poderia deixar de participar de um encontro como este, representativo e de boa qualidade”, afirmou. “Este fórum foi surpreendente pela qualidade e pela participação da juventude”, acrescentou. “De alguma forma, Belém recuperou o prestígio do fórum.”
No sul existe resistência
O nome do senador Paulo Paim (PT-RS) pode ser alternativa à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff à presidência da República dentro do PT. Pelo menos é o que acreditam líderes de entidades do movimento social e sindical que começaram a espalhar adesivos com a frase “Com Obama, a mudança, com Paim a esperança” e a coletar assinaturas para um manifesto de apoio ao parlamentar gaúcho. “Queremos levar uma lista com 2,5 milhões de adesões ao Encontro Nacional do PT, em novembro”, revela Ivan Braz, participante da Coordenação de Entidades Negras.
Segundo Braz, há mobilizações a favor de Paim em diversos Estados, especialmente São Paulo e Rio Grande do Sul. As articulações incluem comunidades de apoio na internet. “Se eles podem lá, nós também podemos aqui”, afirma, referindo-se à eleição de Barack Obama nos Estados Unidos e às perspectivas que vê para o senador, que também é negro.
Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e presidente Lula no Fórum Social Mundial, ontem: sucessora
Em clima de despedida, o presidente Lula apresentou ontem a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aos organizadores do Fórum Social Mundial. Na sua última participação no evento como presidente, ele avaliou que o próximo encontro, em 2011, possivelmente no exterior, contará com a presença da ministra. “Se for em 2010, eu ainda irei como presidente. Mas se for em 2011, já vai ser a Dilma”, disse, sob aplausos de cerca de 100 pessoas.
No encontro, Lula encarregou a ministra de apresentar a proposta de uma Conferência Nacional de Comunicação, que começará com debates nos Estados e municípios. O evento, que ele pretende organizar ainda neste ano, discutirá um velho projeto do governo de regulamentar o setor. Lula espera que ainda neste ano possa realizar a conferência e aprovar o projeto no Congresso. O próprio presidente avalia, no entanto, que o assunto não tem consenso na área.
Quase sempre ao lado do presidente, Dilma teve uma atuação discreta nos dois dias em que esteve em Belém. Evitou holofotes e participou de encontros fechados de Lula com os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Corrêa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai).
Durante o seminário “A América Latina e o Desafio da Crise Financeira”, que reuniu cerca de cinco mil pessoas e contou com a presença dos presidentes sul-americanos na noite de quinta-feira, Dilma recebeu aplausos dos participantes do fórum. O novo visual da ministra não passou despercebido no fórum. Quando sua imagem apareceu nos telões instalados no local do seminário, a multidão assoviou. Mesmo evitando a imprensa, a ministra ofuscou a presença de 11 colegas de governo que participam do encontro de Belém.
Os organizadores do fórum pediram a Lula que a diplomacia brasileira ajude a resolver problemas de vistos para os participantes da próxima versão do evento nos Estados Unidos, no México ou em um país árabe, possíveis sedes da versão 2011 do fórum. Em entrevista, o presidente disse que não esteve no Fórum Econômico Mundial, em Davos, por não considerar o evento neste ano “interessante”.
Ele aproveitou a presença de ativistas europeus e americanos na reunião com os organizadores do Fórum Social para criticar as negociações de paz no Oriente Médio. Lula defendeu que os representantes do Hamas, adversário de Israel e do atual governo palestino, sejam ouvidos nas negociações. O presidente relatou que num encontro recente com um diplomata palestino perguntou como o governo palestino avaliaria a possibilidade dele, Lula, conversar com o Hamas. O diplomata respondeu que gostaria que isso não ocorresse.
Ele elogiou a realização do Fórum Social Mundial em Belém. “O presidente da República não poderia deixar de participar de um encontro como este, representativo e de boa qualidade”, afirmou. “Este fórum foi surpreendente pela qualidade e pela participação da juventude”, acrescentou. “De alguma forma, Belém recuperou o prestígio do fórum.”
No sul existe resistência
O nome do senador Paulo Paim (PT-RS) pode ser alternativa à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff à presidência da República dentro do PT. Pelo menos é o que acreditam líderes de entidades do movimento social e sindical que começaram a espalhar adesivos com a frase “Com Obama, a mudança, com Paim a esperança” e a coletar assinaturas para um manifesto de apoio ao parlamentar gaúcho. “Queremos levar uma lista com 2,5 milhões de adesões ao Encontro Nacional do PT, em novembro”, revela Ivan Braz, participante da Coordenação de Entidades Negras.
Segundo Braz, há mobilizações a favor de Paim em diversos Estados, especialmente São Paulo e Rio Grande do Sul. As articulações incluem comunidades de apoio na internet. “Se eles podem lá, nós também podemos aqui”, afirma, referindo-se à eleição de Barack Obama nos Estados Unidos e às perspectivas que vê para o senador, que também é negro.
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