Em nota oficial divulgada por volta das 20 horas de ontem, o governo do Estado convocou os servidores que integram o movimento da Polícia Civil para retorno imediato ao trabalho. Com essa postura, o governo considerou encerradas as negociações e ainda, em caso de continuidade do movimento, mesmo que de forma escalonada, ameaçou aplicar as penalidades previstas em Lei, a exemplo da suspensão de pagamentos dos dias não trabalhados.
De acordo com a posição oficial do governo, "o movimento é prejudicial à população e inoportuno, tendo em vista o cenário de crise econômica mundial e o fato de que a proposta de reestruturação da carreira foi apresentada em outubro do ano passado e debatida até dezembro, quando houve interrupção unilateral das negociações pelas lideranças sindicais". Além do mais, por nota, é destacada a conquista da Lei Orgânica da Polícia Civil e a atual remuneração, na qual o piso para pessoal da classe 3 em início de carreira, segundo o governo, é de "R$ 1.738,53, não computados neste valor benefícios pessoais como Adicional por Tempo de Serviço, Auxílio Alimentação e Auxílio Transporte".
A equipe de reportagem tentou entrar em contato com a liderança da categoria por telefone na noite de ontem, sem sucesso. A terça-feira foi marcada por paralisações nas delegacias. Iniciada com o objetivo de pressionar o governo para um aumento salarial de 100% em três anos, os policiais pretendem finalizar a paralisação amanhã. Ontem, os agentes da polícia continuaram de braços cruzados e, mesmo apresentando paralisação de advertência, a população sofreu com dificuldades para registrar as ocorrências. A delegacia digital, devido ao congestionamento de acessos por ser apontada como solução para registro de ocorrências, o sistema apresentou lentidão de leituras de cadastros e as páginas expiravam constantemente.
As pessoas que chegaram para registros de ocorrências encontraram portas fechadas e delegacias vazias. Indignada com a situação, a população era orientada pelos poucos agentes a voltar na próxima quinta-feira ou fazer o registro pelo site da delegacia digital da Secretaria de Segurança Pública. Somente casos de furto de veículos e de objetos, perda e extravio de documentos, além do desaparecimento de pessoas podem ser feitos pela internet. Ocorrências como, nos casos de roubo com ameaça à vítima ou furto de produtos controlados pela polícia, têm quem ser presencial.
De acordo com Sandra Kaline Lima Vieira, titular da delegacia digital, o cidadão precisa ter um pouco de paciência, pois o sistema está muito carregado. "Desde o início da greve os acessos ao site aumentaram muito. Somente no período de 7h até às 12h, (ontem) foram registrados 71 ocorrências, um número que geralmente é registrado em um dia inteiro de trabalho", compara a delegada. Vieira ainda completa que é necessário a insistência do cidadão nas tentativas de acesso para a finalização do registro.
A paralisação iniciada na manhã da segunda-feira passada foi aderida em muitas delegacias da cidade. O Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (Gerrc), a 1ª CP do Complexo dos Barris, Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) e Delegacia de Homicídios (DH), estavam com faixas e cartazes noticiando a greve. Segundo Carlos Lima, presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipoc), o salário base de um agente é de R$ 400. Lima ainda avisou que se nada for resolvido até o dia 29, quando ocorre a última paralisação, no dia 20 de junho pode ser iniciada uma greve.
Delegados não aderiram à paralisação de policiais civis e alegam que a reivindicação da categoria no momento é pelo reconhecimento como carreira jurídica. O delegado titular da 3ª Delegacia (Bonfim) e diretor doa Associação dos Delegados da Bahia, Miguel Cicerelli, vê como legítima a mobilização, desde que seja mantido o número suficiente de profissionais para realização de flagrantes e levantamento cadavérico.
No final da tarde de ontem, num movimento considerado normal na delegacia do Bonfim, Cicerelli argumentou que há diferenças nas pretensões dos policiais e dos delegados.
"Os 30% pretendidos por eles nós já aceitamos e não estamos questionando", diz ele. O diretor da associação ressalta que a luta que se inicia é para ver os salários dos delegados equiparados ao que recebe um juiz, promotores e defensores. "Nosso salário líquido é de R$ 3,9 mil, o que significa um quarto do salário do juiz, ou a metade do que um promotor percebe", explica.
Na 2ª Delegacia localizada no bairro da liberdade, o delegado plantonista Antonio Luiz Carvalho tinha uma tarde tranquila de trabalho. "Continuamos em atividades porque não há qualquer determinação do sindicato ou da associação", explicou.
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