Três paralisações de 72 horas cada. É assim que os agentes da Polícia Civil da Bahia pretendem pressionar o governo a dar o aumento pretendido pela categoria, de 100% em três anos. A primeira das paralisações começou nesta segunda, 11, e termina na quinta-feira. O governo do Estado colocou na mesa de negociações uma proposta de aumento de pouco mais de 30% para a categoria nos próximos três anos, 2009, 2010 e 2011.
“Queremos mais do que o governo apresentou na mesa de negociação na terça-feira”, explica o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc), Carlos Lima. De acordo com ele, caso o governo não aceite a contraproposta do sindicato até esta quarta, vai ser realizada uma nova paralisação de 72 horas nos dias 20, 21 e 22 deste mês. “Nesses dias, os 30% do efetivo vão funcionar somente no serviço de levantamento cadavérico. "Vamos fechar as custódias e os presos vão ficar sem policiamento”, avisou Carlos Lima. Se, ainda assim, não houver acordo com o governo, agentes da Polícia Civil vão cruzar os braços por mais 72 horas, de 27 a 29 de maio. “Só a custódia vai funcionar, e os corpos vão ficar nas ruas”, avisa. “Se nada for resolvido até lá, é greve, que pode ser iniciada no dia 20 de junho”, ameaça.
A categoria conquistou seus reajustes salariais, nos últimos dois anos, depois de entrar em greve. A opção pelas paralisações de advertência, este ano, segundo o presidente do Sindipoc, é para reduzir os transtornos à população.
No entanto, em menos de seis horas com agentes de braços cruzados, nesta segunda, a parada de 72 horas já causava transtornos para vários cidadãos de Salvador. Lindinalva Maria Bispo dos Santos, 23 anos, por exemplo, sofreu ameaças de morte e uma tentativa de assassinato praticada por uma vizinha do subúrbio ferroviário de Salvador e não conseguiu fazer com que a polícia intimasse a mulher. “Não sei se sobreviverei a um novo ataque”, reclamou a dona-de-casa.
Braços cruzados – A equipe de reportagem de A TARDE fez ronda na sede do Grupo Especial de Repressão a Roubos a Coletivos (Gerrc), Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), Delegacia de Estelionato e Outras Fraudes (Dreof), 5ª CP (Delegacia de Periperi), 1ª CP (Delegacia dos Barris), Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), Delegacia de Homicídios (DH) e Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV), comprovando que os agentes estavam em greve. Eles orientavam as pessoas que tentavam registrar queixas a voltarem na próxima semana.
Na DRFRV, uma vítima de roubo, que não quis se identificar, tentava registrar uma queixa. “Sem boletim de ocorrência não consigo pegar a chave reserva do carro na seguradora. O automóvel está em um ponto deserto, pode ser saqueado a qualquer momento”, lamentava.
VALOR – Atualmente, o salário-base do agente da Polícia Civil, segundo o presidente da categoria, é de R$ 400. Caso o aumento proposto pelo Sindpoc seja aceito, representará ao Estado um gasto de mais R$ 98 milhões com policiais civis em três anos.
terça-feira, 12 de maio de 2009
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