Respaldado pela vitória na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia, quando o deputado Marcelo Nilo (PSDB) foi reeleito para a Presidência com 41 votos, o governador Jaques Wagner (PT) elevou o tom das suas declarações em torno da complicada relação que vem mantendo com o PMDB baiano desde as eleições municipais de 2008. Acusou os peemedebistas de traição por terem votado no candidato da oposição, o deputado Elmar Nascimento (PR) e deixou no ar a possibilidade de ter chegado a hora de "resolver" as coisas com o PMDB, cobrando uma posição definitiva a respeito da aliança.
Pessoalmente não acredito que estejamos à beira do ponto de ruptura entre os aliados-adversários - ou do fim deste jogo de gato e rato que eles disputam - porque está muito cedo para definições radicais. Falta mais de um ano para que o quadro político da sucessão do presidente Lula fique mais claro e este é um fator preponderante nas decisões futuras da Bahia. E também porque uma briga aberta entre PT e PMDB na Bahia agora pode ter repercussões ruins no quadro nacional e dificultar as relações entre as duas legendas em Brasília. E isto é o que Lula menos deseja neste momento em que inicia a montagem da estrutura da sua sucessão na qual o PMDB é figura essencial.
O governador baiano não desconhece estas variáveis e, como fiel aliado de Lula, vai agir para ajudar e não para criar problemas políticos para o seu amigo pessoal. Na minha opinião, as palavras de Wagner devem ser vistas como a tentativa de, aproveitando o momento positivo, inverter o jogo e, saindo da posição cautelosa que tem sido forçado a adotar, reduzir o ímpeto do PMDB baiano e colocá-lo na defensiva.
Mesmo correndo o risco de errar fragorosamente, o que sempre é possível na dinâmica e instável cena política, acho que ainda teremos muitas conversas entre Jaques Wagner e Geddel Vieira Lima, antes da palavra final sobre o fim do namoro ou da benção das alianças. O que deve variar, até lá, é o tom empregado pelos dois lados, que terá a altura da força que cada um possua no momento.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
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