Não importa o resultado. Vença quem vencer, Lula sairá da guerra em que se converteu a troca de comando no Legislativo com o semblante da derrota.
No presidencialismo à brasileira, tisnado pela hipertrofia do Executivo, é usual que o Planalto meta-se em disputas que deveriam ser exclusivas do Congresso.
Na cruzada deste início de 2009, Lula desceu ao front com dois objetivos:
1. Estabelecer o equilíbrio congressual entre PMDB e PT, os dois sócios majoritários do consórcio governista.
2. Afastar o PMDB, tanto quanto possível, da zona de influência do tucano José Serra, adversário provável de Dilma Rousseff, a pré-candidata oficial para 2010.
Não conseguiu nem uma coisa nem outra. Observe-se primeiro o cenário da Câmara.
Ali, vencendo ou perdendo, o PMDB de Michel Temer vai a 2010 como um equilibrista em cima do muro. Pode descer de qualquer lado.
Sob influência de Serra, PSDB e DEM juntaram-se ao PT no blocão que dá suporte a Temer. Em caso de sucesso, a oposição será sócia do empreendimento.
Na hipótese de derrota, a conta será debitada, sobretudo, ao petismo, que flerta com a traição. Uma perfídia tonificada pelos movimentos erráticos de Lula no Senado.
Foi ali, nos subterrâneos do Senado, que se desenhou o Waterloo de Lula. Primeiro, o presidente açulou a candidatura de Tião Viana.
Depois, acomodou Tião numa trilha que o conduziria para um hotel sinistro de beira de estrada, com Anthony Perkins na portaria.
Em quatro oportunidades, Lula ouvira de José Sarney: “Não serei candidato”. Deu crédito à lorota. Diante da meia-volta de Sarney, submeteu Tião ao assédio da faca.
No momento em que a “Psicose” que regia a (des)articulação do Planalto transformava Tião Viana numa espécie de Janeth Leigh a caminho do chuveiro, surgiu o PSDB.
Depois de quase fechar com Sarney, o tucanato, sentindo-se desatendido, bandeou-se para a tropa de Tião.
Com esse gesto, a cavalaria tucana como que resgatou um renegado Tião do epílogo de fita de Hitchcock que o Planalto traçara para ele.
O triunfo de Sarney, agora incerto, imporá a Lula a hegemonia congressual do PMDB, que o presidente queria evitar. Uma hegemonia errática.
A gula de Sarney restabeleceu o abismo que separa o PMDB do Senado do peemedebismo da Câmara.
Os dois grupos disputam, aos tapas, o posto de interlocutor do partido na sucessão de Lula.
De resto, Sarney reacomodou na vitrine o ex-quase-cassado Renan Calheiros, que volta a se impor, com seu estilo morde-e-assopra, como interlocutor incontornável e incômodo de Lula.
A vitória de Tião, se vier, chegará a despeito de Lula, não por causa dele. O candidato petista vai à crônica da guerra como devedor do oposicionista PSDB.
Nos arredores de Lula, diz-se que, numa disputa que opõe dois governistas, o presidente estaria condenado à vitória no Senado. Tolice.
Lula está na bica de converter-se num dos vitoriosos mais perdedores dos baixios políticos de Brasília.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
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