terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Petistas confiam desconfiando

A aliança com o PMDB é vista como fundamental por setores do PT para garantir a governabilidade tanto no Estado quanto no País. No entanto, declarações recentes de ambas as partes têm funcionado como uma espécie de ducha fria capaz de desestabilizar a relação entre os dois partidos, sobretudo na Bahia, onde alas petistas vêem o PMDB com certa desconfiança. Acreditam, inclusive, que os peemedebistas estão preparando o bote para afastar-se do governo Wagner no momento certo e disputar a sucessão estadual com um nome próprio – Geddel Vieira Lima. O próprio governador vinha colocando panos quentes quando tratava do delicado tema rompimento com o PMDB. Mas,em pelo menos uma ocasião, Wagner chutou forte em direção à defesa do aliado. Ele mostrou-se irritado com o que chamou de traição a posição assumida pelo PMDB de votar contra a reeleição do deputado Marcelo Nilo (PSDB) à presidência da Assembleia Legislativa. Mesmo assim, voltou a admitir que o partido permanece fazendo parte de sua base,inclusive ocupando duas secretarias de peso: Infra-Estrutura e Indústria, Comércio e Mineração. O presidente estadual do PT, Jonas Paulo, também tem sido cauteloso nas suas colocações acerca do entendimento com a legenda do ministro Geddel Vieira Lima. Ele defende a aliança, mas sabe que há segmentos da sigla favoráveis ao rompimento já. Jonas parece enxergar mais adiante, já que contabiliza também o cenário nacional, onde o PMDB tem se saído fortalecido, principalmente agora que está à frente do comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o Michel Temer e José Sarney. Há porém quem defenda abertamente no PT o afastamento do PMDB. É o caso do deputado federal e ex-secretário da Agricultura, Geraldo Simões. Essa seria a mesma opinião de auxiliares próximos a Wagner. Apesar das desavenças, que deixaram de ser aparentes e se tornaram públicas, PMDB e PT vão se suportando na Bahia. Até quando, nem Geddel nem Wagner provavelmente saberão responder. O fato concreto é que por trás de toda a celeuma estão as eleições de 2010 e,consequentemente, as sucessões local e nacional.

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